20 novembro, 2007
16 novembro, 2007
12 novembro, 2007
Eu a pensar na minha fraqueza. Passos mais ou menos rápidos, a evitar o sol e com pressa de chegar a casa.
“Eu também já tive essa força, menina.” Olho para trás. Lábios bem vermelhos e um pozinho de arroz a querer esconder qualquer coisa. As rugas evidentes e o olhar de quem tem aquela ternura da idade.
“Agora as pernas pesam mais, a cabeça já não está muito boa…” tentei imaginar como seria eu, daqui a meia dúzia de décadas – não imagino.
“Mas vá lá, não a quero atrasar.” Deixei-me ficar. Disse que a acompanhava e que com calma chegaríamos mais à frente. Tentei inventar razões para que não se sentisse tão fraca. “Está calor e o caminho sobe…” não se deixou enganar. “É a idade… aos 70 – e eu já os passei – as pernas ficam mais fracas, tudo nos custa mais. Mas vá lá menina, se atrase.”
“Eu fico aqui, tenha um bom dia.” – despedi-me a pensar no que nos falta sempre. A uns a força, a outros a vontade. A mim faltou-me a coragem.
09 novembro, 2007
01 novembro, 2007
É um mundo misterioso, este.
Para quem não sabe; nem quer saber
És tudo aquilo que eu esperava não encontrar. Tive medo e tentei fazer uma selecção, quando no fim, calhaste tu. E tão mal...
Tens muito daquilo que desprezo.
Um dia, ainda hei-de aprender a esperar menos as pessoas. O mínimo. Assim só pode correr bem, só pode melhorar. Pior, nunca.
31 outubro, 2007
31 Outubro 2007
Programei o dia, que seria vazio, logo à partida. Eu, uma taça de cereais e a televisão. À noite, duas cervejas e um pão com chouriço. Pessoas, das verdadeiras? Poucas. Rapidamente mudei de planos. Acordei para o que sentia e fiz as malas, como fazem nos filmes: tentei adivinhar o que me faria falta, atirei a roupa para a cama e meti-a na mochila, desliguei a música e peguei nas chaves. Autocarro, corri para o comboio. Uma mão na bilheteira e um pé no comboio, na ânsia de voltar a casa. Sentei-me ainda com a mochila às costas.
À minha frente: olhos claros, cansados e vazios pestanejando a evitar o sono. As mãos, calejadas, faziam prever que a vida tem sido dura. Tentei adivinhar-lhe os pensamentos, a ele e aos que olhavam a paisagem que passava, rápida, mesmo ali ao lado. Olhares dispersos, ansiosos.
Tentava adivinhar os pensamentos de todos, fugindo assim dos meus.
Faltam-me os que me fazem sentir em casa, os que sempre estiveram cá. Faltam-me os meus, cada vez mais, sempre.
